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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Prezado passageiro

"Prezado cliente, estamos apenas aguardando a liberação da sinalização" - diz o condutor do metrô. Por quê? A sinalização está presa? Algumas coisas que se dizem por aí simplesmente não fazem sentido. O certo é que o condutor esteja a esperar a sinalização de que o trânsito foi liberado, que ele pode seguir com seu comboio. Entendemos o que ele quis dizer, é claro, mas por que não dizê-lo direito? O estranho é que é uma frase padrão: todos os condutores do metrô do Rio de Janeiro falam isso. Ou seja, alguém escreveu a frase para que ela seja dita ou, se foi obra da criatividade de algum maquinista, alguém - que deveria estar cuidando das "frases padrões" - deixou que ficasse assim.

Outra coisa que me intriga é o "apenas". Por que apenas? Alguém poderia achar que o trem está parado porque esquadrões anti-bombas procuram por artefatos terroristas, como se estivéssemos no metrô londrino em tempos de ameaças do IRA?

"Prezado cliente, estamos aguardando a liberação do tráfego" estava de bom tamanho. Sem "apenas" e liberando o que realmente precisa ser liberado. Porque o sinal (ou a sinalização, para ficar mais comprido) está lá, totalmente livre para indicar se o maquinista pode levar seu veículo adiante ou não.

domingo, 27 de maio de 2012

Pós-pago, pré-ferrado

Todos sabem da minha resistência a telefones celulares, estes aparelhinhos que fazem com que qualquer um te encontre em qualquer lugar, soam em salas de cinema e em reuniões de trabalho, e te obrigam a participar das conversas mais íntimas do estranho que está ao teu lado no ônibus. Pois bem, minha mulher tinha um telefone celular pré-pago simplezinho. Daquele que não tira fotos, não grava música, não toca rádio. Só serve para telefonar mesmo. Um dia resolveu trocar para um aparelho melhorzinho. Aproveitou para mudar o plano também. Trocou o pré-pago que lhe custava uns R$ 20,00 por mês por um pós-pago. A primeira conta veio em R$ 800,00. Erro da operadora, é claro. Mandaram uma segunda conta. Ainda errada. Apelamos para a Anatel e a empresa de telecom saiu pela tangente dizendo que "por ela ser uma boa cliente, concederiam um desconto na fatura daquele mês". Pois é, caradura não tem limites...

Eu, que estava livre dessas maquininhas do diabo, longe das microondas na minha orelha, herdei o celular simplezinho da minha mulher. Do final do ano passado para cá, creio só tê-lo usado umas três vezes. Sempre me assustando que um telefonema de 20 segundos custe quase R$ 2,00. Enfim, continuei creditando (e não usando) uns R$ 10,00 por mês só para que, vez ou outra, minha mulher pudesse me achar no caminho do trabalho para casa ou para o cinema. Cheguei a ficar quase dois meses sem colocar crédito, quando saímos de férias.

Outro dia fui com minha companheira numa dessas lojas de telefone celular. Queríamos saber quanto custaria para incluir o meu celular no plano dela. Dizem que esses pacotes são mais vantajosos, não é mesmo? Coisa nenhuma. O preço mais barato que me ofereceram foi de R$ 60,00.

Essa história de pós-pago é muito esquisita para mim. A gente paga depois que fecha o mês, mas não necessariamente pelo que consome. O plano me oferecia sei lá quantas centenas de minutos (a franquia de R$ 60,00), mas eu não usaria nem um décimo disso. Já acho uma roubada os R$ 10,00 que eu pago no pré-pago só para manter a linha ativa, que dirá R$ 60,00! Continuei no pré-pago, mas ainda assim pensando que vantagem afinal existe em carregar esse aparelhinho do demônio para cima e para baixo, com medo que ele caia do bolso ou seja esquecido em algum lugar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O cego na faixa de pedestres

No Rio de Janeiro, os motoristas têm o estranho hábito de parar seus veículos após o sinal, fechando o cruzamento. Ninguém pode esperar atrás da faixa de pedestres pela liberação do tráfego à frente. Assim, quando o farol fica verde na transversal, os carros do outro lado não podem se mover. Na prática, todo o mundo anda quando o semáforo da sua via está vermelho, pois, enquanto ele estava verde, o cruzamento estava bloqueado pelos automóveis que vinham na perpendicular.

Nunca consegui entender essa atitude mesquinha dos condutores cariocas. Além de atrapalhar o trânsito, prejudica os caminhantes, que ficam sem faixa de pedestres para atravessar. Ontem, uma dessas cenas de caos urbano me deixou aterrorizado e me fez perceber como esta prática contraventória pode ser perigosa. Um cego tentava cruzar a Avenida Heitor Beltrão, na Tijuca (para quem não conhece, uma via com três ou quatro faixas de rolamento, dependendo do trecho). No meio da pista, deparou-se com um ônibus atravessado sobre a faixa. Parou, pensou e resolveu dar a volta pela frente do coletivo, escolhendo o mais longo e mais perigoso percurso. Certamente imaginou que a condução estava só um pouco avançada, já que o sinal estava fechado para os veículos. No entanto, o ônibus, além de ocupar a faixa, bloqueava parte do cruzamento adiante.

Os riscos eram grandes: 1) o lotação poderia se mover sem que o condutor percebesse o lusco homem tateando a viatura; 2) conseguindo passar o coletivo, o cego poderia ser atropelado por um utilitário em movimento na faixa da direita (como vimos acima, independente de o semáforo estar aberto ou fechado); e 3) como o deficiente visual passaria por fora da faixa, à frente do ônibus, pelo cruzamento, poderia ser atropelado pelos carros que viessem pela transversal.

Felizmente, um rapaz veio correndo em seu socorro e o ajudou a atravessar as duas ruas por entre os veículos que, dos dois lados, aboletavam-se sobre as listras brancas que deveriam ser o território e a segurança dos transeuntes.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Rotina

A vida é uma eterna rotina de labores diários. Nem se fôssemos reis seria diferente. Apenas os labores seriam outros.